No Brasil Area plantada com seringueira


18-08-15

No Brasil a área plantada com seringueira é de 170.000 ha aproximadamente, equivalente a 2,0 % dos 10.062.000 ha plantados com seringueira no mundo, em 2010.

Nos países grandes produtores de borracha natural os seringais são explorados durante 35 a 40 anos, idade em que passam a ser renovados. A madeira resultante da derruba, ou “rubberwood” atinge volumes impressionantes, sendo usada como matéria prima na indústria moveleira internacional, assim como na construção civil, concorrendo com outras espécies tradicionais.

O fato de vir de seringais plantados há muitos anos e não de florestas nativas, além de algumas das suas qualidades, como a maleabilidade, por exemplo, e do baixo custo, pois não deixa de ser um subproduto, favorece a sua competitividade no mercado internacional.

A Malásia, por exemplo, que produz cerca de 300 mil metros cúbicos, exportou mais de 32 bilhões de dólares em móveis manufaturados com madeira da seringueira , em 2006. O mundo produziu 14.000.000 m³ de madeira de seringueira em 2008. Toras com diâmetros inferiores a 15 cm são direcionadas para geração de energia.

No Brasil, de acordo com o IAC, a exploração da madeira de um seringal no final do seu ciclo mostra-se viável economicamente se o stand for igual ou superior a 200 plantas/ha, com produção de 1,00 m³ de madeira/planta.

A qualidade da madeira de seringueira faz dela excelente matéria prima na indústria moveleira. De coloração que varia do creme ao tom rosado, não apresenta diferenças visuais entre o cerne e alburno. As suas características de trabalhabilidade são consideradas boas, no que se refere à serragem, furação, torneamento, etc, quando devidamente tratada.

Diferentemente do que acontece nos países maiores produtores, os seringais brasileiros mais antigos, com 40 ou mais anos, continuam em exploração, mesmo com baixas produtividades. O uso destes seringais como árvores de sombra para cacaueiros, a falta de linhas adequadas de financiamento, as dificuldades de mão de obra são fatores que contribuem para a sua continuidade, sendo poucos os casos de renovação, no Brasil.

Dos seringais que foram renovados, o destino das árvores derrubadas, na grande maioria dos casos, foi o uso como combustível em secadores das próprias fazendas, ou comercializados como lenha para os mais diversos fins. Em qualquer dos casos, uma destinação de baixo retorno econômico, considerando o preço médio da lenha comum posto fazenda. Se aproveitada como madeira poderia render muito mais, contribuindo para cobrir parte do investimento inicial de renovação do seringal.

O uso da seringueira como madeira só é viável se passar pelo tratamento de preservação, porque depois que a árvore é derrubada torna-se muito susceptível ao ataque de insetos e fungos, causadores de mofo e manchas, devido ao alto conteúdo de carboidratos nas células parenquimatosas.


  • Fabio Zenaide Maia

    FABIO ZENAIDE MAIA

    Diplomado em Agronomia pela UFV. Trabalhou com a cultura da seringueira e processamento de borracha natural na Bahia, São José do Rio Preto, São Paulo, Libéria e África.…

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