Oportunidade para investimentos em bioeletricidade


06-04-16

O atual desafio do Brasil no que tange a oferta de eletricidade tem sido aumentar a geração firme para reduzir a dependência pelas hidrelétricas. No entanto, as atuais térmicas a gás natural, carvão e óleo combustível têm um custo de geração muito alto. Logo, o Ministério de Minas e Energia e a Empresa de Pesquisa Energética começaram a estimular o desenvolvimento de novos projetos de geração térmica de base via leilões federais. Nesta levada, o governo passou a considerar a bioeletricidade também como uma fonte de geração de base, independente da biomassa utilizada.

Com essa mudança e a atual conjuntura do setor elétrico brasileiro, os projetos Greenfield de bioeletricidade e os de expansão de capacidade instalada – alguns engavetados há vários anos – voltaram a se tornar competitivos. Consequentemente, a partir do segundo semestre de 2013 houve uma retomada expressiva dos preços de venda de eletricidade nos leilões e os projetos de bioeletricidade voltaram a vender volumes relevantes de energia elétrica.

Só nos últimos nove meses houve três leilões de energia elétrica de fonte térmica, nos quais 19 projetos de bioeletricidade foram vencedores, com capacidade total de 1.112 MW, além de um aumento no preço médio da eletricidade de 102% em relação ao leilão de agosto de 2013. Com isso, a bioeletricidade provou-se mais competitiva que o gás natural e o carvão, competindo em igualdade de condições.

Em outras palavras, a principal restrição para a expansão da bioeletricidade no Brasil finalmente deixou de ser o mercado ou o governo e passou a ser a própria capacidade do setor privado de desenvolver novos e maiores projetos Greenfield e Brownfield. São muitas as oportunidades de investimento em bioeletricidade no Brasil. Desde a otimização do uso do bagaço e da inserção da palha como combustível nas usinas, até a produção e a combustão de florestas energéticas, sorgo biomassa e cana energia, sem falar dos resíduos.


  • Eduardo Tobias Ruiz

    EDUARDO TOBIAS RUIZ

    Diretor da CELA - Clean Energy Latin America. Mestre em Agroenergia pela FGV, ESALQ e EMBRAPA e autor do livro "Análise de Investimento em Projetos Greenfield de Bioenergia".

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