Agricultura é alternativa para captura de carbono

Agricultura é alternativa para captura de carbono


03-12-15 Agronegócio

No mesmo dia em que a Agência das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) alertou para o impacto no Brasil da mudança climática, foram lançadas ontem em Paris mais iniciativas com promessas de dinheiro e knowhow para ajudar países na transição da agricultura global.

A agricultura é um dos setores mais seriamente afetados pela mudança climática, e também produz 24% das emissões de gases de efeito estufa que causam o problema. Na Conferência do Clima, ontem, pela primeira vez falou-se bem mais concretamente de agricultura muito conectada a clima, segurança alimentar e nutricional, e redução da pobreza.

A França lançou oficialmente o projeto "4 por 1000", para aumentar a matéria orgânica dos solos e assim sua capacidade de captar carbono. Um sintoma grave da degradação dos solos é que, quando ele perde a matéria orgânica, perde a capacidade de reter a água e vira areia. O que a iniciativa francesa quer é propagar práticas ecológicas que são tradicionais em alguns lugares, mas pouco conhecidas em outros, como cultivo mínimo, arar menos o solo, incorporar matéria orgânica. O Brasil e o resto da América do Sul são considerados modelo nessa área.

A iniciativa recebeu o apoio de mais de cem países e organizações, mas não de grandes produtores agrícolas, como Brasil, EUA, Rússia e Ucrânia. De toda maneira, a agricultura brasileira sofrerá cada vez mais a questão climática. "O Brasil é um dos países que mais vai sofrer impacto dessas mudanças climáticas", disse ao Valor o diretorgeral da FAO, José Graziano da Silva, que participou do lançamento do projeto. "Apesar de ter um território muito vasto, o país vai ter de trocar variedades, adaptadas a mais calor e mais resistentes a seca, em áreas que nunca se esperava, como no sul do Brasil."

Pecuaristas de quatro países europeus França, Irlanda, Itália e Espanha , com 32% do rebanho da região, querem acelerar o projeto "Life Beef Carbon", visando reduzir 15% de emissões de gases na produção de carne bovina, em dez anos. Uma das práticas é tentar produzir tudo o que é consumido pelo gado, ao invés de comprar fora ou transportar a mercadoria.

Por sua vez, o Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura (Fida), que financia projetos para pequenos agricultores em países em desenvolvimento, quer focar ao mesmo tempo em aumento da produtividade e redução de emissões.

Uma parceria da FAO com mais de 500 companhias e organizações da indústria e sociedade civil também quer acelerar a iniciativa "Save Food", contra o desperdício e perda de alimentos. O prejuízo seria de US$ 1 trilhão por ano. Uma plataforma para medir e monitorar esse desperdício vai ser lançada na sexta-feira.

Uma aliança internacional de 400 grandes empresas do varejo, incluindo Carrefour, Tesco, Walmart, se compromete a não comercializar nenhuma carne bovina originária de área desmatada. "É zero beef de desmatamento a partir de 2020", afirmou ao Valor um diretor do Carrefour, Bertrand Swiderski.

Valor Econômico

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