Biomassa da madeira avança como concorrente da cana

Biomassa da madeira avança como concorrente da cana


30-10-15 Biomassa

Tonelada é vendida por US$ 20, mas pode chegar a US$ 40.

Produzir madeira de reflorestamento e vendê-la como biomassa para fazer energia elétrica é um negócio em alta no Paraná.

Concorrente direta do bagaço e da palha da cana-de-açúcar, a biomassa da madeira já é empregada por usinas sucroenergéticas durante a entressafra. Nesse período, entre janeiro e março, falta biomassa da cana para cogerar eletricidade.

Em janeiro deste ano, a tonelada de biomassa de eucalipto chegou a R$ 100 na região de Ribeirão Preto. O valor é semelhante ao pago atualmente pela tonelada da palha da cana entregue pelo fornecedor na usina.

No Paraná, investir em madeira de reflorestamento para vender como biomassa é um negócio que só tende a crescer, segundo a Emater, instituição do governo paranaense.

Hoje, os preços pagos pela tonelada da madeira giram em torno de US$ 20, desde que colocada no pátio da empresa compradora.

"A tendência é de que os preços subam com o crescimento da procura, se equiparando aos preços internacionais", diz Amauri Ferreira Pinto, coordenador estadual de Produção Florestal da Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), conforme a Agência de Notícias do Paraná.

Conforme o executivo da Emater, no mercado internacional a tonelada de madeira gira em torno de US$ 40.

Ou seja, o produtor de madeira reflorestada pode chegar a embolsar perto de R$ 120 por tonelada, R$ 20 acima do que recebem fornecedores de cana-de-açúcar pela tonelada da palha, ou mesmo do bagaço no período da entressafra.

O interesse de investir em madeira reflorestada vai além do fornecimento da biomassa para fazer eletricidade.

A madeira proveniente desses reflorestamentos é usada pelas indústrias para fabricação de pasta mecânica, celulose, madeira serrada, chapas e móveis. Como biomassa e energia, madeira é empregada por cooperativas agrícolas para secagem de grãos, para alimentação de caldeiras e frigoríficos.

E são as cooperativas agrícolas quem apostam no segmento, ao lado de grandes projetos da indústria de madeira, papel e celulose.

"O setor de papel e celulose, que cresce e vive momento favorável com os bons preços internacionais, e as cooperativas, que usam a madeira na secagem de grãos e geração de biomassa, devem puxar a produção florestal no curto prazo", diz o secretário de Estado da Agricultura do Abastecimento, Norberto Ortigara, segundo a Agência Paraná de Notícias.

O consumo de madeira, que atualmente está em 51 milhões de metros cúbicos, cresce 7% ao ano no Estado. Apesar de ser o maior produtor de pinus e o quarto maior de eucalipto do País, a produção florestal do Paraná ainda é insuficiente para atender a demanda.

"Para fazer frente a esse ritmo, o Paraná precisará ampliar a área em pelo menos 500 mil hectares e alcançar 2 milhões de hectares nos próximos anos", afirma Amauri Ferreira Pinto, da Emater.

Jornal Cana

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