Brasil não poderá votar na Organização Internacional do Café por 1 ano

Brasil não poderá votar na Organização Internacional do Café por 1 ano


03-10-15 Agronegócio

Após ter pago, com atraso, apenas uma parte da taxa anual de 382 mil libras, o equivalente a R$ 2,3 milhões pelo câmbio atual, devida à Organização Internacional do Café (OIC), o Brasil foi oficialmente informado hoje que ficará suspenso por um ano de todas as votações em comitês da entidade.

Antes da decisão, o país, maior produtor de café do mundo, também já havia perdido o direito a voto nas discussões que aconteceram hoje em Milão, no último dia da segunda reunião da OIC no ano, que começou na última quarta-feira.

O prazo final para pagar a dívida venceu na quarta-feira, e ontem o país pagou R$ 1,7 milhão à instituição. O atraso no pagamento foi motivado por cortes orçamentários feitos pelo Executivo, em meio ao ajuste fiscal das contas públicas.

De acordo com o presidente da OIC, o brasileiro Robério Silva, a partir de hoje o país não participa mais de nenhum comitê de discussão nos fóruns de discussão da entidade.

“O Brasil perdeu hoje assento nos comitê de finanças e administração, de promoção e desenvolvimento do mercado, e de projetos da OIC por conta do pagamento parcial da contribuição”, disse Silva ao Valor. “Houve reunião do comitê de promoção hoje e o Brasil já não pôde participar”.

Silva se absteve de comentar quais as consequências políticas e diplomáticas para o Brasil na OIC, num momento em que se discute a falta de legitimidade do país para continuar presidindo a instituição, conforme pessoas que acompanharam as conversas de representantes dos paísesmembros.

Um representante que participou da comitiva do Brasil que viajou á Milão disse que a União Europeia já manifestou interesse em antecipar as eleições para a presidência da OIC, marcadas para o ano que vem. O mandato de Robério Silva expira em setembro de 2016. A alegação é de que o Brasil teria perdido prestígio entre as 77 nações que têm assento no Conselho da entidade.

“Foi uma tragédia anunciada. A ministra Kátia Abreu [da Agricultura] até se esforçou para resolver o problema financeiro, mas não impediu que hoje fosse um dos dias mais tristes para a história do setor no Brasil”, destacou o deputado Evair de Melo, (PVES), que também é integrante do Conselho Nacional do Café (CNC) e está presente no encontro anual da instituição. 

A ministra da Agricultura não se pronunciou sobre a decisão da OIC.

Fonte: Valor Econômico


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