Chinesa State Grid vence leilão da 2ª linha de transmissão de Belo Monte  Estão previstos investimentos de R$ 7 bilhões em obras em 5 estados. Empresa vencera também leilão da 1ª linha, com Furnas e Eletronorte

Chinesa State Grid vence leilão da 2ª linha de transmissão de Belo Monte Estão previstos investimentos de R$ 7 bilhões em obras em 5 estados. Empresa vencera também leilão da 1ª linha, com Furnas e Eletronorte


26-08-15 Energia Renovável

A chinesa State Grid Brazil Holding venceu, nesta sexta-feira (17), o leilão para contratação do segundo sistema de transmissão da energia a ser gerada pela hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. A disputa aconteceu na sede da BM&FBovespa, em São Paulo.

A empresa ofececeu R$ 988 milhões, um deságio (diferença entre o valor máximo fixado pelo edital e do lance vencedor) de 19% em relação à remuneração máxima anual permitida, de R$ 1,2 bilhão. A State Grid é uma estatal chinesa que está no Brasil desde 2010, quando adquiriu sete companhias nacionais de transmissão de energia.

A segunda proposta apresentada veio da Abengoa Concessões Brasil Holding, que deu lance de R$ 1,049 bilhão, um deságio de 14%. O Consórcio Xingu, formado por Furnas e Eletronorte, subsidiárias da Eletrobras, que também havia se credenciado para participar do leilão, não apresentou proposta.

Pelas regras do edital, venceria o leilão a empresa ou o consórcio que oferecesse a menor proposta de Receita Anual Permitida de referência. A chamada RAP começará a ser paga à transmissora, pela prestação do serviço público aos usuários, a partir da entrada em operação comercial das instalações.

O chamado segundo bipolo de Belo Monte vai escoar energia do rio Xingu, no Pará, para a região Sudeste, até o município de Nova Iguaçu (RJ). A licitação envolveu um único lote com 2.550 km de linhas de transmissão e 7.800 MW de capacidade instalada em duas subestações conversoras.

Em construção no Pará, a hidrelétrica de Belo Monte tem a conclusão das obras prevista para janeiro de 2019. Com um investimento estimado em R$ 28,9 bilhões, a usina terá potência de 11.233 MW e deve gerar 4.571 MW médios, instantaneamente.

Estão previstos investimentos da ordem de R$ 7 bilhões com obras em 5 estados: Pará, Tocantins, Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A Aneel estima a geração de 16,8 mil empregos diretos com o projeto.

A agência estabeleceu um prazo de 50 meses para a conclusão do linhão, o que representaria início de operação a partir de dezembro de 2019.

Representantes da Aneel, do Ministério de Minas e Energia e da State Grid falam à imprensa após o resultado do leilão (Foto: Marta Cavallini/G1)
Representantes da Aneel, do Ministério de Minas e Energia e da State Grid falam à imprensa após o resultado do leilão (Foto: Marta Cavallini/G1)

Chineses vão buscar parceiros locais
A State Grid já havia saído vencedora do leilão da primeira linha de transmissão de Belo Monte, para a região Sudeste. Na ocasião, a empresa participou com 51% em consórcio com Furnas Centrais Elétricas (com participação de 24,5%) e Eletronorte (24,5%).

Os executivos da empresa afirmaram que irão buscar parceiros locais para a concretização do projeto. “A tentativa é de continuar negociando alguma parceria no Brasil para implementação do projeto dada a sua complexidade para ser implementando com sucesso”, disse Ramon Haddad, vice-presidente de manutenção e operação da State Grid Brazil.

A tentativa é de continuar negociando alguma parceria no Brasil para implementação do projeto dada a sua complexidade para ser implementando com sucesso"

Ramon Haddad, da State Grid Brazil

Para representantes da empresa, trata-se de um grande desafio, mais complexo que o primeiro bipolo, e garantem que tudo foi formatado para cumprir os 50 meses de prazo dados pelo governo a partir da assinatura do contrato para conclusão das obras.

“O investimento é da ordem daquilo que foi estimado pela Aneel [R$ 7 bilhões]. Claro que ao longo do tempo vamos buscar otimização dos investimentos e vamos manter a referência apresentada”, acrescentou.

Ele afirmou que a empresa sempre estudou e sempre conta com parcerias com a Eletrobras, justificando a não-realização de uma nova parceria com a empresa. “O tempo que tivemos para formatar foi impositivo para apresentar essa proposta isoladamente independente da Eletrobras”, justificou.

A empresa destacou que se trata do maior projeto de transmissão de energia elétrica do Brasil. “É um projeto de grande vulto, tecnologicamente vai exigir muito tipo de equipamento e fornecimento de tecnologia, contamos com parceiros nacionais e internacionais para otimização do projeto”, disse. “A gente não pode pontuar ou definir um fornecedor único ou uma nação única de fornecimento”, complementou.

Ele disse que a State Grid Brazil Holding quer usar o maior número de debêntures e de recursos disponíveis do BNDES em termos de financiamento de longo prazo. “A gente conta com apoio do BNDES e vamos usar tudo o que pode ser usado do banco – é o grande parceiro de financiamento desse projeto – incluindo uso de debêntures de infraestrutura e outros formatos de investimentos que possam trazer recursos para o projeto”, afirmou.

Questionado sobre a seleção de mão de obra para a linha de transmissão, ele afirmou que a busca é por trabalhadores locais ao longo dos 2,5 mil km de transmissão, mas não é descartada a vinda de chineses também.

Haddad elogiou a eficiência dos licenciamentos ambientais no país e acha possível a convivência pacífica do meio ambiente com o desenvolvimento.

A State Grid diz que pretende continuar investindo no país e outro foco da empresa é a energia renovável (solar).

Sem atrasos
José Jurhosa Jr., diretor da Aneel, disse que o governo está confiante que não haverá atrasos no cronograma da usina de Belo Monte nem na construção das linhas de transmissão. Belo Monte tem previsão de estar pronta em janeiro de 2019 e, mesmo que a estrutura da transmissão de energia não fique pronta antes da operação plena da usina, segundo Jurhosa, há outras formas de escoar a energia. A linha tem previsão de entrar em operação no final de 2019.

“O planejamento todo foi feito para que não haja problema de escoamento, não vislumbramos nenhum atraso na questão da transmissão”, disse.

Moacir Carlos Bertol, do Ministério de Minas e Energia, explicou que a Eletrobras analisou todas as condições da concorrência, mas não fez uma proposta. “Não houve restrição, cada empresa tem sua capacidade de investimento. Com certeza a Eletrobras estará presente nos outros leilões”, disse.

Segundo Bertol, a State Grid é a maior empresa transmissora da China e investe no Brasil desde 2010. “A empresa tem todas as condições. Claro que preferimos uma parceria com uma empresa local como a Eletrobras, mas o sistema é aberto, livre, [a empresa] estando habilitada e em condições de participar, está aberto”, disse.

“Esperamos que a empresa cumpra o prazo porque é muito importante o escoamento de energia da Usina de Belo Monte. Essa energia precisa ser escoada para as linhas de transmissão”, ressaltou.

André Pepitone, diretor da Aneel, afirmou que leilões como esse se tornarão comuns no país. Segundo ele, no ano de 2014, foram licitados R$ 8 billhões em investimentos. Em 2015, no leilão de janeiro, foi licitado R$ 1,3 bilhão. E há uma programação de R$ 42 bilhões a serem licitados em 2015, dos quais R$ 7 bilhões saíram no leilão desta sexta.

No próximo leilão, previsto para agosto, serão R$ 7,7 bilhões, e em outubro, R$ 4 bilhões em investimentos. De acordo com ele, em outros leilões de potencial eólico, com expansão no Sudeste e Sul, entre dezembro e primeiro semestre de 2016, serão mais R$ 21 bilhões. “2015 será o ano da transmissão, haverá investimento forte no setor”, afirmou.

Empreendimentos que compõem o lote em leilão:
– Estação Conversora CA/CC, ±800 kV, 4.000 MW, junto à SE 500 kV Xingu;
– Estação Conversora CA/CC, ±800 kV, aproximadamente 3.800 MW, junto à SE 500 kV Terminal Rio;
– Linha de Transmissão em Corrente Contínua de ±800 kV Xingu – Terminal Rio, 2.518 km;
– Linha de Transmissão em Corrente Alternada de 500 kV Terminal Rio – Nova Iguaçu C1 e C2, 30 km;
– Seccionamento das LTs 500 kV Adrianópolis – Rezende e Adrianópolis – Cachoeira Paulista na SE Terminal Rio;
– 2 Compensadores Síncronos de 150 Mvar cada, na Subestação Terminal Rio.

Leilão da Aneel na Bovespa (Foto: Darlan Alvarenga/G1)
Primeiro leilão de transmissão do ano da Aneel terminou com 2 lotes encalhados (Foto: Darlan Alvarenga/G1)

Consórcio de chineses e Eletrobras venceu leilão de 1ª linha
A primeira linha de transmissão da hidrelétrica de Belo Monte foi licitada no início de 2014. O consórcio IE Belo Monte, formado por Furnas Centrais Elétricas S.A., State Grid Brazil Holding S.A. e Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A (Eletronorte), foi o vencedor do leilão para tocar o projeto de 2,1 mil quilômetros em linhas de transmissão. O grupo ofereceu uma proposta de remuneração anual 38% menor do que o teto fixado pelo governo.

A State Grid iniciou as atividades no Brasil em 2010, com a compra de transmissoras da Plena Transmissora. Em 2012, adquiriu sete linhas da espanhola ACS. A State Grid também é responsável pela linha de transmissão que interligará as hidrelétricas do rio Teles Pires ao sistema, em consórcio com a Copel.

Na China, a holding State Grid Corporation of China fornece energia para uma área equivalente a 88% do território do país, para uma população de mais de 1 bilhão de pessoas.

O leilão desta sexta-feira foi o segundo de transmissão do ano. No certame realizado em janeiro, 2 dos 4 lotes ofertados não tiveram interessados e o deságio médio foi de 4,58%.

Próximos leilões
A Aneel aprovou a realização de leilão em 26 de agosto para a contratação de 11 lotes de empreendimentos de transmissão de energia elétrica que demandarão investimentos de aproximadamente 7,8 bilhões de reais.

Serão licitados 4,9 mil quilômetros em linhas e subestações com capacidade de 9 mil mega-volt ampére (MVA) a serem construídas nos Estados de Alagoas, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rondônia, Santa Catarina e Sergipe.

Os projetos ofertados somam uma RAP máxima de R$ 1,3 bilhão.

 

G1

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