Cooperativa do Paraná utiliza bagaço de cana para produzir energia

Cooperativa do Paraná utiliza bagaço de cana para produzir energia


26-08-15 Biomassa

O potencial da cana-de-açúcar vai além do setor sucroalcooleiro no Paraná. A cana também é usada para geração de energia elétrica, principalmente, para abastecer indústrias do interior do estado. São 25 usinas termoelétricas que usam o bagaço da cana-de-açúcar como combustível.

Cooperativa Agrícola Regional de Produção de Cana, a Coopcana, que fica em São Carlos do Ivaí, noroeste do Paraná, possui uma destas usinas.

"Você tem hoje tecnologia de ponta, não só no Brasil, mas no mundo, para transformar resíduo de biomassa, resíduo agrícola num combustível extraordinário que chama energia elétrica, que é problema no mundo inteiro e que move o mundo", diz o presidente da Coopcana, Fernando Vizotto.

Esta é mais uma alternativa para diversificar a fonte de energia elétrica. No Brasil, a biomassa é responsável por 8,6% da geração de energia, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Esse número, segundo especialistas, poderia ser maior porque a biomassa é considerada uma das fontes com maior potencial de crescimento para os próximos anos.

"As fontes tradicionais, a fonte hidráulica, principalmente, está chegando ao limite. Portanto, as outras fontes de geração de energia vieram para ficar", diz o diretor de negócios e desenvolvimento da Companhia Paranaense de Energia (Copel), Jonel Iurk.

A queima do bagaço da cana-de-açúcar libera poluentes na atmosfera, mas esses gases são menos agressivos do que os que são gerados na queima de combustíveis fósseis, como o carvão mineral e o petróleo.

A vantagem é que a instalação de uma usina como a de São Carlos do Ivaí não causa impacto ambiental como ocorre na construção de usinas hidrelétricas, que precisam de grandes áreas de alagamento para funcionar.

A Usina de São Carlos do Ivaí, para tornar o projeto possível, há dois anos, foi feita uma parceria com uma empresa paulista de distribuição de energia, a Companhia Paulista de Força e Luz. Foram investidos R$ 150 milhões na instalação de uma usina termelétrica dentro da cooperativa. Desde então, a cooperativa é autossuficiente em energia.

Segundo o presidente Coopcana, Fernando Vizotto, até pouco tempo atrás, a destinação dos resíduos agrícolas do setor sucroalcooleiro era um problema. "Há cinco anos ele era um resíduo problemático, porque a opção que tinha era a venda para olarias da região e algumas empresas, mas isso criava dificuldade de transporte".

Para o presidente, a produção da biomassa traz uma nova visão ao setor sucroalcooleiro. "Você resolve ambientalmente um resíduo de grande volume e de locação, você da um destino nobre a ele", diz Vizotto.

Além de produzir toda a energia que consome, a cooperativa ainda vende o que sobra para a Copel. A empresa tem capacidade de produzir ainda mais, mas a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) só autoriza a venda de até 30 megawatts por hora.

Por isso, há uma sala de controle, onde operadores controlam quanto a usina consome de energia e quanto é enviada para a rede da Copel.

O processo de geração de energia começa pela moagem da cana. O bagaço que sobra da produção do açúcar e do etanol passa por esteiras e é enviado para caldeiras onde é queimado. O vapor criado nesse processo é o que gera a energia.

O químico industrial Luiz Cesar Tessaro explica que, durante esse processo, também é feito o tratamento da água, que é a matéria prima do vapor. [Com] a água que é coletada do rio aqui próximo da usina, a gente faz o processo de clarificação dessa água e depois de desmineralização. Depois disso a gente manda para a caldeira para produzir vapor", explica Tessaro.

Durante a moagem da cana são produzidas, por hora, pelo menos 280 toneladas de bagaço. Essa matéria prima é utilizada na geração de energia elétrica. Na usina de São Carlos do Ivaí, por exemplo, toda essa energia gerada seria suficiente para manter uma cidade de até 100 mil habitantes.

G1

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