PESQUISA DESENVOLVIDA NA SIF/UFV, REVELA MÉTODO QUE REDUZ TEOR DE CLORO NA BIOMASSA FLORESTAL EM ATÉ 91%

PESQUISA DESENVOLVIDA NA SIF/UFV, REVELA MÉTODO QUE REDUZ TEOR DE CLORO NA BIOMASSA FLORESTAL EM ATÉ 91%


16-04-18 Biomassa

O teor dos elementos minerais na biomassa vegetal varia principalmente em função da necessidade da planta, disponibilidades no solo e entre espécies/clones. Os minerais são encontrados em vários órgãos e tecidos dos vegetais. O acumulo de alguns componentes minerais no processamento industrial da biomassa desencadeia uma série de problemas na indústria como entupimentos, corrosões e incrustações. Tais infortúnios podem provocar a redução da vida útil dos materiais e interferir na produtividade industrial, levando ao aumento de custos do processo de produção.

O Cloro (Cl) é um dos principais minerais que promovem essa corrosão de tubos e caldeiras. Diante da importância da redução do teor deste elemento na biomassa florestal o professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV) Glêison dos Santos foi procurado pelo grupo empresarial Forestalia, que se dedica a projetos de energias renováveis (eólica, fotovoltaica e biomassa) na Espanha, França e Itália, para verificar como o Melhoramento Florestal poderia ajudar a reduzir o teor de cloro na biomassa. Um dos trabalhos realizados com o objetivo de avaliar a possibilidade de reduzir a quantidade de cloro na biomassa de Eucalyptus, foi a lavagem da biomassa em água corrente. Os testes foram realizados em biomassas da copa (galhos e folhas) e fuste provenientes de florestas de Eucalyptus benthamii e Eucalyptus dunnii, ambas com 3,0 anos de idade.

As biomassas foram lavadas em água corrente, com diferentes volumes de água, em relação ao volume das biomassas. A pesquisa avaliou 5 níveis (tratamentos) de lavagem da biomassa. Os resultados surpreenderam ao revelar a possibilidade de reduzir o teor de cloro na biomassa total (galhos, folhas e tronco) em até 91% para a biomassa de E. dunnii e 65% para E. benthamii. Segundo o professor, essa maior redução de cloro na biomassa total de E. dunnii, deve-se ao fato que o mesmo possui copa mais densa (com mais folhas) quando comparado com a biomassa total de E. benthamii e como a concentração de cloro é maior nas folhas, a biomassa total que contém maior percentagem de folhas e galhos apresenta maior redução no teor cloro.

O professor explica ainda, que é possível reduzir o cloro lavando a biomassa, porque o cloro é altamente solúvel nas plantas, isso acontece porque ele não participa de nenhum componente estrutural (formando compostos orgânicos) na formação dos tecidos. Ou seja, ele está livre nas células e não está ligado em outros compostos, de maneira que não possa ser retirado. Assim, a água tira o cloro por “arraste”.

Além disso, a maior concentração de cloro está nas folhas, onde ele participa do controle osmótico (abertura e fechamento de estômatos). Por sua vez as folhas são tecidos tenros, o que facilita ainda mais o arraste do cloro promovido pelo processo de lavagem com água.

Ademais ao referido trabalho, também se está discutindo com a empresa Forestalia um programa de melhoramento genético específico para selecionar progênies e clones de Eucalyptus que apresentem geneticamente uma menor fixação de cloro em seus tecidos vegetais, trabalhos preliminares indicam que a seleção na direção de menor percentual de cloro na biomassa é possível.

Glêison dos Santos (Professor e Pesquisador da UFV) |e-mail: gleisons.ufv@gmail.com

Caio Oliveira (Mestrando em Ciência Florestal pela UFV) | e-mail: caiovaronill@gmail.com

 

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