Setor florestal cresce abaixo do potencial no Brasil

Setor florestal cresce abaixo do potencial no Brasil


16-01-16 Florestal

Gargalos em infraestrutura, o aproveitamento industrial abaixo do possível nas áreas plantadas e entraves para o capital estrangeiro são apontados como os principais motivos.

O setor florestal brasileiro, que engloba principalmente a silvicultura, a produção de papel e celulose e a fabricação de painéis, deve continuar a toada de crescimento durante 2016, mas abaixo de seu potencial, prevê a Pöyry, empresa finlandesa de engenharia e consultoria ao setor.

Gargalos em infraestrutura, o aproveitamento industrial abaixo do possível nas áreas plantadas e entraves para o capital estrangeiro são apontados como os principais motivos.

Em entrevista ao Valor, Jefferson Mendes, diretor de negócios florestais da companhia no Brasil, diz esperar que, além de o Produto Interno Bruto (PIB) do setor avançar no ano, haja forte movimento de fusões e aquisições envolvendo as produtoras. Mesmo assim, com a alta competitividade dessa indústria no país e as chances de crescimento que se apresentam, o especialista aposta que não haverá problema em um possível incremento da concorrência.

As evidências de que as movimentações das empresas aumentam já começaram a aparecer no fim do ano passado, quando a finlandesa Stora Enso vendeu sua fábrica em Arapoti, no Paraná, para a chilena Papeles Bio Bio. Desde o início de 2016, a Smurfit Kappa, da Irlanda, já adquiriu duas fabricantes brasileiras de embalagens.

O aumento do interesse das multinacionais pelo setor no Brasil se dá, além do bom momento, por conta da desvalorização do real ante as principais moedas do mundo. "O poder de investimento do capital estrangeiro aumentou demais com a depreciação cambial", diz Mendes. "Há uma tendência de maiores aportes em toda a cadeia produtiva."

Esse mesmo fator câmbio é o que ajuda a impulsionar o setor florestal no país. A produção de papel e celulose, principal segmento, vive forte expansão por conta das vendas ao exterior. No total, o setor florestal contribuiu com quase metade do superávit na balança comercial do país em 2015, mais de US$ 7 bilhões.

O cenário é mais favorável também por conta da alta nos preços da celulose. Em relatório distribuído a clientes nesta semana, o banco Morgan Stanley disse que espera continuidade da tendência positiva neste ano. A projeção é de US$ 780 por tonelada para o produto de fibra curta e de US$ 810 para a fibra longa.

Por outro lado, o avanço do dólar, que poderia ajudar a derrubar a cotação da celulose, não deve ser uma ameça, dizem os analistas Carlos de Alba, Lúlica Rocha e Jens Spiess. "Os preços tendem a se mover com o crescimento da economia global", explica o relatório. "[A celulose e a moeda americana] costumam demonstrar correlação mais em época de dólar mais fraco."

O Morgan Stanley analisou também os preços em reais. Alguns agentes de mercado argumentam que, na moeda brasileira, a cotação possa estar alta demais em máximas históricas, mas o banco argumenta que a inflação local ajuda a engordar os preços. No geral, a instituição aguarda valorização durante o primeiro semestre.

Uma queda nos preços da celulose viria apenas no ano que vem, mostra o relatório. A previsão dos três analistas é de US$ 730 para a fibra curta em 2017 e de US$ 790 para a fibra longa. No longo prazo, as expectativas do banco são de US$ 695 e US$ 770, respectivamente.

A Pöyry lembra, porém, que o cenário positivo poderia se intensificar. Uma das medidas, diz Mendes, o executivo da companhia no Brasil, seria aproveitar os quase 1 milhão de hectares subutilizados de florestas plantadas, quase 12% do total no Brasil. "A oferta é muito grande, mas nem sempre há um processo industrial vinculado. Há espaço para que esses investimentos sejam recebidos especialmente no Mato Grosso, no Rio Grande do Sul, no Paraná e em Minas Gerais", afirma.

Outra ação envolveria expandir a base florestal. Estima-se que cerca de 20 milhões de hectares sejam utilizados por pastagens improdutivas ou degradadas, o que já se apresentaria como oportunidade para a silvicultura. Para a indústria já instalada, a solução seria reduzir os custos com produção principalmente de infraestrutura portuária e logística em geral.

"Se tivermos políticas bem objetivas nesse sentido, o setor tem tudo para crescer ainda mais", comenta o especialista. Mendes lembra também que a produção de energia em celulose se apresenta como uma oportunidade para diversificar mais o setor. Para ele, a participação da biomassa na matriz energética, menor do que 10%, ainda é pequena demais para a capacidade brasileira, e a criação de biorrefinarias pode ser a próxima fronteira da indústria florestal.

No caso de atrair o capital estrangeiro, a Pöyry que tem no Brasil seu principal mercado de papel e celulose espera uma mudança na legislação. Se interessados do mercado externo pudessem aplicar diretamente seu dinheiro em terras e controlá-las integralmente por aqui, ao contrário do que a lei permite hoje, Mendes prevê que o fluxo de capital seria muito maior. Mas o executivo duvida que, com a atual situação política e econômica do país, o assunto seja prioridade no curto prazo.

Valor

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