Startup brasileira cria ferramentas para agilizar inventário florestal

Startup brasileira cria ferramentas para agilizar inventário florestal


15-02-16 Florestal

A startup Treevia, criada por uma dupla de engenheiros florestais brasileiros, foi premiada pelo banco Santander com R$ 100 mil para avançar no desenvolvimento de dois mecanismos que prometem dar agilidade e confiabilidade à realização de inventários de florestas no país.

Liderado pelo engenheiro florestal Esthevan Augusto Goes Gasparoto, o empreendimento pretende tornar todo o processo de monitoramento e quantificação das árvores — hoje um processo lento, manual e sujeito a erros — automatizado e informatizado.

"Nossa intenção era atacar as duas maiores dores da indústria florestal brasileira", disse Gasparoto ao Valor, em entrevista por telefone de São José dos Campos, onde a Treevia está sediada.

Segundo o Santander, a proposta tem ampla contribuição no mapeamento de florestas, sejam elas plantadas (com finalidade comercial) quanto nativas. Dados do anuário de 2015 da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ) mostram que, apenas em florestas plantadas, o Brasil tem 7,7 milhões de hectares, monitoradas manualmente.

O projeto, desenvolvido por Gasparoto em parceria com Emily Tsiemi Shinzato e orientação do professor Luiz Carlos Estraviz Rodriguez (ESALQ/USP), consiste em duas ferramentas de trabalho.

A primeira, chamada de "SmartForest", é um sistema que usa uma rede de sensores sem fio para monitorar o crescimento, a qualidade e a sanidade da floresta, entre outras variáveis ambientais, durante todo o ciclo produtivo. O aparelho, preso à árvore ainda jovem, envia para uma central todas as informações em tempo real.

"São informações importantes para saber se o desenvolvimento das árvores está ocorrendo como o previsto ou não", diz Gasparoto. No caso da silvicultura, pode ser uma ferramenta diferencial para que a empresa tenha precisão em relação à matéria-prima – ou seja, se haverá madeira suficiente no tempo esperado para movimentar o negócio.

Uma floresta plantada com eucaliptos, por exemplo, precisa ser constantemente checada até completar sete anos, quando é feito o corte. Até lá, a medição de exemplares de árvores é feita por funcionários terceirizados, que voltam à floresta a cada ano para fazer o acompanhamento.

No Brasil, o setor florestal movimenta cerca de R$ 100 bilhões por ano e emprega cerca de 4,5 milhões de pessoas.

"Mas medir o desenvolvimento das árvores é uma tarefa passível de erros, como o posicionamento errado da fita métrica em torno do tronco, que acarreta em medição e até a leitura de dados incorreta", diz Gasparoto. "Por isso, é preciso refazer o trabalho por auditoria."

Além de acompanhar o desenvolvimento florestal, o equipamento também pode contribuir para entender a influência das variedades climáticas no desenvolvimento do diâmetro da árvore ) e prever o futuro. Ou seja, como o aquecimento atrapalha ou estimula a atividade florestal. No futuro, a intenção é computar também aspectos sanitários. "Em um segundo momento será possível monitorar o fluxo de seiva da planta e saber se ela está transpirando ou se morreu."

A outra tecnologia, denominada DendroScan, é um scanner capaz de se deslocar por um cabo por dentro da floresta, permitindo o mapeamento em 3D e em segundos de centenas de árvores. Segundo a Treevia, com ele, é possível extrair o volume de madeira, o estoque de carbono e outras métricas relevantes.

"A quantificação de árvores é algo que demora, o que pode, eventualmente, prejudicar operações de venda e compra de terras", diz Gasparoto. Ele cita como exemplo um trabalho realizado recentemente em Mato Grosso do Sul: o inventário florestal de uma área de 30 mil hectares de floresta levou 5 meses para ser entregue. "Com o scanner móvel, conseguimos fazer 40 árvores por minuto."

Além disso, o equipamento captura imagens de diferentes diâmetros do tronco e também imagens de altura das árvores. Os recursos da premiação serão investidos na instalação da empresa e no desenvolvimento de protótipos e produtos para testar o mercado, chamados tecnicamente de MVP (de Produto Minimamente Viável, em inglês).

A expectativa é de que até o fim deste ano os MVPs estejam em fase de testes em campo com empresas parceiras e que, no ano seguinte, o projeto consiga ganhar escala e fechar contratos.

Além dos R$ 100 mil para investir no projeto, Esthevan e o seu professor orientador, Luiz Carlos Estraviz Rodrigues, ganharam, cada um, uma bolsa de estudos presencial na renomada escola de empreendedorismo Babson College, nos EUA.

Valor Econômico

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