Terceiro e maior incêndio na GranBio atinge 90% do estoque de palha, mas empresa contesta

Terceiro e maior incêndio na GranBio atinge 90% do estoque de palha, mas empresa contesta


06-01-16 Biomassa

A Granbio, no comando da primeira usina de etanol celulósico do Brasil, não tem que gerenciar apenas as expectativas que criou em torno da sua tecnologia. Desde novembro do ano passado a empresa passou também a lidar com as consequências de três incêndios que atingiram diretamente o estoque de palha da empresa, em São Miguel dos Campos (AL).

Praticamente em sequência, os três incêndios acabaram por consumir uma parte significativa da palha armazenada. Esta última ocorrência teve início no sábado (02) e foi a pior de todas.

Segundo comunicado do Instituto do Meio Ambiente (IMA), 90% do estoque da empresa teria sido atingido pelo fogo. "Vimos apenas três pilhas que não haviam sido queimadas, mas elas não devem somar nem 1% do estoque", comentou Genival Pulcino da Silva, da fiscalização do IMA.

A GranBio contesta os dados, embora ainda não tenha um número para apresentar. "Esse número não procede porque ainda estamos em fase de apuração", argumenta o gerente de matérias-primas da empresa, Sérgio Godoy. Apesar dos números exatos serem alvo de divergência, o relato do IMA indica que, em relação ao total que estava armazenado pela GranBio, sobrou pouca matéria-prima não atingida pelo fogo.

Além disso, na manhã de ontem (04), uma equipe de fiscalização do Instituto do Meio Ambiente (IMA) interditou o local onde está o restante do estoque, alegando falta de medidas preventivas para evitar a queima do material.

Segundo o gerente de monitoramento e fiscalização do IMA, Ermi Ferrari, a interdição implica que não poderá haver movimentação no local. "A entrada de material fica proibida até que novas medidas sejam tomadas e haja desinterdição", explica.

Em entrevista a equipe de reportagem do portal novaCana, a GranBio afirma que essa medida não deve afetar a produção de etanol celulósico. "O IMA interditou o estoque para a entrada de matéria-prima, mas o que está lá pode sair e abastecer a Bioflex", afirma Godoy.

Ele também aproveitou para comentar a acusação de que a empresa não possui licença ambiental para a área de estoque. “O centro de distribuição de palha não é passível de licenciamento, ainda assim, temos toda a documentação necessária”, garante.

Godoy também complementa que a empresa já iniciou a busca por uma nova área de estoque. De acordo com ele, a GranBio pretende voltar a adquirir palha nas próximas semanas e as aquisições devem ser direcionadas para essa nova área.

Histórico de incêndios e desentendimentos com o IMA.

O primeiro incêndio no estoque da GranBio aconteceu no dia 10 de novembro e, segundo o IMA, representantes da empresa protocolaram relatório informando que 15% do material teria queimado. Para se ter uma ideia do volume, a GranBio informou que colheu e armazenou cerca de 360 mil toneladas de palha para um ano de operação.

O segundo incêndio aconteceu no dia 03 de dezembro. Conforme informações dos técnicos que estiveram no local, o fogo teria consumido uma área de um hectare de vegetação nativa existente próxima ao estoque das palhas de cana.

Com relação ao incidente mais recente, o gerente da GranBio nega que tenham sido causados grandes impactos ao meio ambiente: "Identificamos um princípio de incêndio que logo foi aplacado. Os danos foram muito pequenos".

No entanto, o técnico do IMA disse que a equipe terá que retornar em outro momento para avaliar a dimensão dos estragos causados à vegetação nativa. "Aparentemente o fogo consumiu o que restou do incêndio anterior, mas só poderemos estimar o tamanho da área afetada e os impactos em uma outra vistoria", disse.

De acordo com o IMA, em um laudo anterior foram apontadas 12 medidas preventivas que não teriam sido tomadas pela Granbio e, assim, teriam causado a reincidência. O órgão afirma que a interdição também considera que não foram cumpridas as recomendações. Por sua vez, a GranBio rebate alegando que foram tomadas medidas preventivas e que contesta as informações do IMA por meio de laudo técnicos e jurídicos.

"Três autuações já foram emitidas e juntas somam multas no valor de cerca de R$ 570 mil", afirma o IMA em comunicado. O órgão continua: "As duas primeiras foram dadas porque a empresa deixou de adotar medidas de precaução ou contenção em caso de risco de dano ambiental; e pela emissão de poluentes na atmosfera. A terceira foi emitida porque o segundo incêndio consumiu um hectare de vegetação nativa existente próxima a área de estoque".

A GranBio confirma o recebimento das três autuações, mas observa que as duas primeiras estão sendo contestadas na justiça. Com relação à terceira, relativa aos danos ao meio ambiente, Godoy afirma que não houve contestação e que a empresa, inclusive, já teria pago a multa.

 Nova Cana

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